sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Faubourg Saint-Denis - Tom Tykwer

Amor é maior

Algo Maior

No mês passado um garoto terminou com sua namorada por tê-la encontrado junto a outro cara no dia de seu aniversário de namoro. Disse que não poderia comemorar pois estava doente já havia alguns dias e não poderia receber visitas em sua casa, mas na verdade, ela tinha planejado um encontro com um amigo que conheceu pela internet duas semanas antes... Este encontro aconteceu em um bar ao lado do local de trabalho de seu ex-namorado. Eles já vinham brigando havia algum tempo, pois já estavam juntos há 4 anos e isso, para um casal de 17 anos, não é pouca coisa, mas mesmo assim, ele está sem sair de casa e ela ainda não desistiu de mostrar seu arrependimento para o mundo inteiro.

No ano passado, um filho perdeu a mãe para um câncer de pulmão, visto que ela fumava desde seus 14 anos de idade. Desde então, não consegue sorrir sem depois lacrimejar ao lembrar da falecida.
Ontem um homem perdeu a casa e o trabalho em um jogo de pôker.
Há quase 10 anos atrás milhares de pessoas morreram devido a um atentado terrorista nos Estados Unidos e há 2000 anos um homem morreu em prol de todos os pecados cometidos pela humanidade.

Humanidade. Número de seres humanos existentes na face da Terra. Se você olhar para o céu nesse momento, você percebe que este número não é tão grande assim.
Durante o dia o Sol, mesmo a 150 milhões de quilômetros distante de nós, nos ilumina até o crepúsculo do final da tarde, de onde recebemos, mesmo sendo pouca, a luz da lua, que está a 385.000 quilômetros acima do solo terrestre.

Neste instante vemos as estrelas. Elas estão tão longe de nós, que o céu que vemos hoje é o reflexo de talvez centenas de anos atrás, já que a luz de muitas demora, às vezes, centenas de anos pra chegar até nós.
Se você estivesse em alguma destas estrelas e olhasse para o céu, você veria a mesma coisa que conseguimos enxergar daqui, com uma pequena diferença: um destes pontos brilhantes no céu... É o nosso planeta.

A alguns anos luz daqui, nosso planeta não parece tão grande. Na verdade, um único pontinho de luz nos representa, como todas as bilhões de estrelas ao nosso redor. De longe, nós não somos diferentes de outros e de longe nós quase não existimos. Nós não existimos.
Nós nos preocupamos com quem vamos andar, como vamos viver, onde vamos trabalhar, mas de fato, longe daqui a nossa opinião não faz diferença alguma. Se vivermos gloriosamente ou se morrermos de fome, nossa estrela continua brilhando longe daqui, sem a nossa ajuda.

Nossos problemas não parecem tão grandes visto desta forma. Aquela mãe que morreu, ou aquele namoro que acabou... Nada demais. Uma lágrima, um sorriso, um grito de agonia ou alegria, eles não serão ouvidos muito longe daqui.

Todos um dia vamos morrer e o que fizemos pode estar escrito em livros de história ou em arquivos policiais, mas a vida continua, a vida lá fora continua. A Terra não morre e o Universo que a abriga continuará alí... E não há nada maior do que este Universo.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Velhos Amigos

Quando eu morava naquela vila muitas pessoas vinham ao meu bar todos os dias, o único das redondezas. Homens solteiros, divorciados, cornos, veteranos, prostitutas, assassinos, sequestradores, vagabundos, trabalhadores, jovens, jogadores de pôquer, procurando por diversão ou não procurando coisa alguma, todo o tipo de gente aparecia por lá, o que me surpreende até hoje o fato do lugar ter sido cenário de dois ou três brigas hoje.

Haviam quatro amigos que sempre estavam alí.
Não importa qual fosse o dia, religiosamente, eles apareciam por aquela porta pra beber, assisitir aos jogos na televisão ou simplesmente pela honra ao cotidiano.
Nunca entravam sozinhos ou desfalcados, ou estavam os quatro ou ninguém estava e, não importava qual mesa pegassem (muitas vezes até ficavam em pé), eles conversavam e riam como se aquele momento fosse o último de suas vidas.
Os assuntos e a cerveja eram sempre os mesmos, embora cada conversa parecesse mais interessante a cada dia que passava.
Muitas vezes puxavam algum assunto comigo e com os cavalheiros ao redor e todos pareciam se conhecer desde o dia de seus nascimentos.

Seus times eram tão iguais quanto as cores em suas peles: o time do branquinho estava em pé de guerra com o do japonês na segunda divisão, enquanto que o negro apostava alto que seu time ia vencer a final contra o desfalcado do alemão.

Diferente por fora, mas todos nós os viamos como uma só pessoa.
Seus olhos brilhavam juntos e refletiam uns aos outros.
Quando um se apertava num sorriso, todos os outros faziam a mesma coisa e quando um lacrimejava, molhava todos os demais.
Nunca brigavam, por mais que dividissem as mesmas namoradas, estas eles sempre esqueciam depois de um tempo, outras acabavam chegando e os quatro garotos continuavam os mesmos.

Por muitos anos eles ficaram por lá, assim como muitos dos meus clientes.
Todos conversavam e riam e choravam, juntos, como bons amigos.
Um círculo de amizades que nada poderia romper.

Nos últimos anos em que permanecemos abertos, os garotos (agora não mais tão garotos) não estavam com a mesma aparência de sempre.
Algo acontecia com um deles.
Me contaram que ele tinha alguma espécia de doença, um vírus ou alguma coisa desse tipo. Se você acha que isto fez com que eles perdessem a esperança, vocês estão enganados, risadas e sorrisos era o que não faltava entre aqueles quatro.
Os mesmos assuntos, a mesma cerveja, os mesmos times, as mesmas namoradas, porém, como se cada dia fosse uma conversa cada vez mais interessante.

E foi assim, até o dia em que nenhum dos três apareceu lá outra vez.

Passou uma semana, duas, três, um mês, um ano e nada daqueles meninos, até que desistimos de esperar e encarar a realidade como esta se mostrava.
Eles nunca entravam sozinhos ou desfalcados, ou estavam os quatro ou ninguém estava.

Se não fossem por eles, talvez este bar já estivesse, há muito, fechado.
Eles deram para aqueles homens o que muitos desconheciam ou tinham medo de procurar.
Eles nos deram as conversas, as risadas, as piadas e o companheirismo de todos os dias.
Aquela amizade nos deu forças a continuar.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010




Muito bonito esse curta haha

Invictus - William Ernest Henley

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate
I am the captain of my soul

Me deparei com este poema quando estava assistindo (clandestinamente) o filme Invictus, do diretor Clint Eastwood (ex-pistoleiro), com Morgan Freeman no papel de Nelson Mandela. Me arrepiei só de ouvi-lo na voz de Freeman.
Um poema lindíssimo que fala sobre persistência e força de vontade na busca de nossos objetivos.
Apesar de ter problemas em sua vida,como qualquer outra pessoa, o eu-lírico se mantém de cabeça erguida para enfrentá-los, continuando forte independentemente do que acontece e apesar de tudo o que possa estar contra seus objetivos, ele se mantém firme para dizer que é dono de si mesmo, mestre de seu destino e capitão de sua alma.


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Diversão, Ladinice e Lobotomia

O que você faz para se divertir? Qual o sinônimo de diversão em seu dicionário? O que é diversão?
Quando eu era criança eu costumava trapacear nos jogos de bafo pra me dar bem com cada vez mais figurinhas no bolso. Pra mim, aquilo era se divertir, era ganhar e não perder, se eu não lambesse as pontas dos dedos, ou descolasse as bordas do papelzinho para que este grudasse em minhas mãos, eu não seria o vencedor. Não se se por falta de habilidade ou por falta de confiança, mas algo me dizia que a única saída com tapete vermelho daquela situação era a trapaça, a ladinice jogava ao meu lado.
Nessa mesma época, uma das coisas que me agradava (não menos que "bater figurinhas") era sentar na frente da televisão e ficar alí por horas a fio, sem pensar em outras coisas, até o limite, até que a corda responsavel por essa conexão se rompesse por excesso de tração. Sim, era gostoso, era divertido, eu abria as portas e a TV invadia meu sistema operacional com minha completa permissão, uma lobotomia disfarçada de informação.
Eu era só uma criança, você era só uma criança quando também fazia isso, mas as pessoas crescem. As pessoas crescem e aquelas que se deixam levar por esta lobotomia não percebem pequenas mudanças durante este caminho, mudanças que fizeram um adulto responsável tomar o lugar de uma criança inocente. Eu vejo muitos Pequenos se deixando levar por interesses ou facilidades e antes que você pense que elas "são apenas crianças", pense que pessoas que lideram o nosso planeta ainda se deixam levar por interesses e facilidades (se é que "se deixam levar" é a expressão correta), mas elas não são mais crianças, seus erros já não são mais insignificantes, eles representam bilhões de pessoas pagando por eles e mais bilhões em nosso futuro.
Ainda tenho alguns restícios de quando eu era uma criança... Eu escondo os meus 3 de copas na manga pra ganhar uma partida de truco ou desligo o meu cérebro para curtir alguma música ou algum filme idiota, mas nós temos que ter controle sobre isso. Não podemos mais lamber os dedos pra que a figurinha caia nas nossas mãos, nós temos que ter a habilidade pra que isso aconteça e passar isso pra frente, na forma de ensinamentos.
Nossa diversão não pode mais depender de ladinices, nossa diversão não pode mais nos lobotomizar, nós temos que nos auto-educar, já que o mundo não tem mais forças para isso.